
Os eventos preparatórios tiveram como principal benefício o alinhamento da posição brasileira e a construção de consensos antes da cúpula principal.
Foco em Combustíveis Sustentáveis: A Pré-COP, sediada em Brasília, reforçou o compromisso com a transição energética, destacando a vigência de novas leis brasileiras (como as de combustíveis do futuro e hidrogênio de baixa emissão de carbono). A pauta serviu para mostrar o potencial do Brasil na descarbonização da economia.
Fundos e Adaptação: Foram discutidos avanços na Meta Global de Adaptação e a proposta do Brasil de criar o Fundo de Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), um mecanismo para remunerar países que protegem suas florestas nativas.
Transparência e Governança: O período foi marcado pela estruturação de painéis de transparência pública sobre os investimentos e obras de infraestrutura (cerca de R$ 4,2 bilhões) realizados em Belém, voltados para turismo, saneamento e infraestrutura.
A Conferência em Belém, sediada pela primeira vez na Amazônia, teve resultados mistos de grande impacto político e frustração em pontos nevrálgicos das negociações.
Pacote de Belém e Acordo de Paris: A conferência foi encerrada com a aprovação do "Pacote de Belém" por 195 países. O documento fortaleceu o Acordo de Paris com decisões sobre redução de emissões, adaptação e financiamento, respondendo à urgência climática.
Fundo de Florestas Tropicais: O TFFF foi formalmente lançado pelo Brasil e recebeu investimentos iniciais, somando US$ 6,7 bilhões.
Voz dos Povos: A participação da sociedade civil, especialmente dos povos indígenas (que montaram uma aldeia com cerca de três mil representantes) e movimentos sociais, foi histórica e inédita, garantindo a inclusão de seus direitos territoriais nos documentos da cúpula. A Cúpula dos Povos e a Marcha Global pelo Clima mobilizaram dezenas de milhares de pessoas, mostrando a força da articulação social brasileira.
Missão Belém 1,5°C: Foi estabelecida uma missão específica para acelerar a implementação das metas nacionais e manter o aquecimento global abaixo de 1,5°C, como forma de responder à ultrapassagem iminente desse limite.
Combustíveis Fósseis: O texto final da conferência não conseguiu obter consenso para incluir explicitamente a eliminação dos combustíveis fósseis, um ponto de tensão liderado por países produtores de petróleo (como Arábia Saudita e Rússia).
Desmatamento e Financiamento: Propostas brasileiras para um roteiro de eliminação do desmatamento e metas claras de financiamento climático foram enfraquecidas ou removidas do texto oficial.
Posicionamento Político: A presidência brasileira, apesar da ausência de consenso oficial, anunciou por iniciativa própria a elaboração de dois Mapas do Caminho autônomos: um para a transição justa dos combustíveis fósseis e outro para interromper e reverter o desmatamento, assumindo um papel de liderança política.
O período Pós-COP, com as atividades centralizadas em Brasília, deve focar na conversão das decisões políticas em ação prática.
Implementação e Acelerador Global: O foco da Pós-COP é o Acelerador Global de Implementação, uma iniciativa voluntária lançada sob a liderança das Presidências da COP30 e COP31 para apoiar países em desenvolvimento na execução de suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e Planos Nacionais de Adaptação (PNAs).
Diálogo com Empresas: A Pós-COP serve para consolidar as coalizões formadas por empresas e organizações da sociedade civil (a Agenda de Ação), garantindo que as promessas de sustentabilidade sejam transformadas em metas MRV (mensuráveis, reportáveis e verificáveis).
Monitoramento e Transparência: Brasília se torna o centro de monitoramento dos investimentos e do progresso das obras de infraestrutura. A Controladoria-Geral da União (CGU) manteve um painel de monitoramento do Plano de Transformação Ecológica do governo, essencial para a transparência .